sábado, 26 de junho de 2010

Como desenvolver o turismo e preservar a natureza?

Porto de Galinhas recebe hordas de turistas todos os anos. Eu e Katia, minha esposa, estivemos por lá no começo de junho e tivemos algumas experiências interessantes e que nos fizeram questionar a exploração turística da vila e a preservação do meio ambiente. Explico.

Uma das maiores atrações da vila de Porto de Galinhas é a visita as piscinas naturais que se formam na maré baixa nos recifes.


Os recifes ficam expostos por cerca de 4 horas a cada ciclo de maré e os turistas podem caminhar sobre eles em áreas delimitadas por funcionários do Ibama. Segundo informação do jangadeiro que nos levou para o passeio, os funcionários do Ibama avaliam diáriamente as condições dos recifes e delimitam por onde os turistas deverão passar e em quais áreas poderão nadar com os peixes. Em outras palavras, os fiscais do Ibama estão ali para decidir sobre qual área do recife se dará o impacto ambiental naquele dia e promover o rodízio entre as áreas para que todo o recife exposto receba o mesmo impacto ambiental ao logo do tempo.

Os mais radicais talvez defendam que se interrompam as visitas aos recifes para que estes sejam preservados. Porém, ao fazerem isso esquecem de toda uma população que vive do turismo e dele tira o seu sustento. Proibir simplesmente é tão ou mais irresponsável do que a situação atual.

É hora de pensar em outras soluções. Mais modernas e educativas. Pensar diferente. Que tal fazer a visitação justamente na maré cheia, sem que ninguém fique com os pés sobre os recifes.

Os turistas fariam a visita de máscara, snorkel e colete, evitando que afundassem, flutuando sobre os recifes. Porém temos o problema da higienização dos bocais dos snorkels. Os snorkels poderiam ter bocais descartáveis e cada turista usaria o seu. Os que não quisessem se aventurar no snorkel poderiam fazer o passeio em barcos adaptados com fundo de vidro, permitindo uma visão clara do mundo subaquático.

E, talvez o mais importante, turista tem que ser educado. Treinado sobre o que pode e como pode e o que não pode fazer. Senti muita falta de folhetos explicativos nesse sentido.

Turismo ecossustentável. Basta vontade. Incentivo do estado e do município, alguns patrocinadores para diluir os investimentos iniciaís e cobrar do turista pelo serviço prestado. É justo.

Esse é somente um dos aspectos da exploração turística de Porto de Galinhas. Temos bugueiros, o estuário do rio Maracaípe e os cavalos marinhos, e muitas outras questões a serem debatidas.